DESCRIÇÃO DE GIRINO DE Rhinella schneideri COMO RESERVATÓRIO DE PARASITO EM PISCICULTURA

G. PALA, G. M. R. VALLADÃO, L. O. ALVES, F. PILARSKI

Resumo


O objetivo foi estudar girinos como possíveis reservatórios de parasitos em tanques escavados que são utilizados na piscicultura. As coletas (SISBIO 51444-1) foram realizadas em setembro de 2015 (Jaboticabal, São Paulo). Os girinos (n=60) foram capturados com auxílio de puçá e transferidos imediatamente em sacos plásticos com água proveniente do tanque até o laboratório, onde foram medidos, pesados e eutanasiados pela secção da medula espinhal. Cada girino foi colocado individualmente em tubos “falcon” contendo 4ml de formalina 1:4000 para desprendimento dos parasitos. Após 2h de descanso, o girino foi retirado e 1ml da solução colocada em câmara de Sedgewick-Rafter para contagem dos ectoparasitos (os dados foram multiplicados por 4 para estimar a quantidade total por girino). Os descritos ecológicos de prevalência, abundância e intensidade média parasitária foram calculados. O restante do conteúdo do tubo foi depositado em lâmina de vidro e depois de secas, impregnadas com nitrato de prata 2% para identificação taxonômica dos parasitos. Os girinos (comprimento total 2,0cm± 0,2 e peso 0,2g± 0,03) foram identificados como sendo Rhinella schneideri e apresentaram 100% de prevalência de tricodinídeos, com alta taxa de abundância e intensidade média parasitária (4107,1 ± 1526,6). Os tricodinídeos eram da espécie Trichodina heterodentata, um parasito cosmopolita que tem sido relatado infestando e causando quadros patológicos intensos em diversas espécies de peixes de cultivo em todo o mundo, incluindo na produção praticada em tanque escavado no Brasil. Estudos sobre reservatórios de doenças são escassos na aquicultura e este trabalho mostra que os girinos selvagens desempenham papel importante como reservatório de uma das principais parasitoses de peixes, atuando como fonte de infecção nos tanques que são utilizados na produção. Medidas preventivas de entrada de animais selvagens no cultivo e manejo planejado entre preencher o tanque com água e realizar a soltura dos peixes devem ser realizados.

PALAVRAS-CHAVE: EPIDEMIOLOGIA. PREVENÇÃO. SANIDADE.

AGRADECIMENTOS: Á Profa. Dra. Denise de C. Rossa Feres do Departamento de Zoologia e Botânica da Unesp de São José do Rio Preto pela identificação taxonômica dos girinos.

ÁREA TEMÁTICA: Doenças Parasitárias

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DOI: http://dx.doi.org/10.15361/2175-0106.2015v31n2p39